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Colunas
01/02/2010 DeusAcho que estou chegando aos limites da tolerância e quase desaguando na força bruta da combustão emocional o que, na verdade, não tenho nem sequer imaginação sobre quais sejam as conseqüências, se vier a eclodir. Mas não consigo mais me controlar sem aplicar um muxoxo provocado por um estado de revolta ao ver falar tanto, e tanto e mais tanto de Deus. Nos e-mails, então, há uma carga maciça, um excesso de redações falando sobre o criador.
Cada um se acha no direito de afirmar que Deus espera isso...que Deus quer aquilo...que Deus releva tal ato...que Deus compreende tal comportamento...que Deus perdoa se for assim e não irá perdoar se for assado...enfim, que pretensão, falam no nome de Deus como se o criador fosse material de consumo que se encontra em qualquer boteco de esquina (ou de meio de quadra, pode ser) ou de tal forma que até parece que Deus autorizou falarem no nome dele e que ele até “tem palavra”...pasmem... “palavra de Deus”, como se fosse possível a teorética metafísica ter palavra, ou seja, um “abstrato-concreto”.
Deus não disse nada a ninguém, Deus não quer nada do que os humanos dizem que ele quer, mesmo por quê, ninguém sabe o que ele pretende, Deus não autorizou ninguém a pregar em seu nome e se desejasse alguma moldura humana ou espiritual, simplesmente a forjaria através de seu poder, Deus não é nada do que andam afirmando essas espécies de “gigolôs” de algo tão superior a nós. Na verdade, diante dele, não passamos de cocos de mosca.
E não me venham com bíblia, por favor. Já estou cansado de receber tolices em torno de afirmações bíblicas que jamais representaram o que chamam “a palavra de Deus”, mesmo porque, somos tão insignificantes que jamais Deus iria acoplar suas inspirações em algo “tão vulgar para ele” que é o que essa insignificância humana chama de palavra. Pela enésima vez digo e escrevo que devemos respeitar Deus a partir do momento em que o sentimos em nossas emoções e, é daí que se alimenta o cognitivo que filtrará o comportamento que virá a se ajustar ao coletivo comum. Devemos respeitar Deus por ser Deus e não por achar que seu poder pode dar a cada um de nós o que desejamos em objetivos pessoais.
Se não for assim, por favor, me provem que não é assim, mas me provem não com bíblia, já que ela representa a palavra de Deus para os espertos ou para os ignorantes, menos para a verdade de nossa insignificância, isso por quê, Deus – repito – não tem palavra...algo tão superior não teria palavra, não teria contacto direto, não teria imposições perversas ou mesmo exigência de adoração. Teria determinação.
E finalizando: Tanto Deus “não disse nada do que afirmam que disse”, que as religiões, que fazem esse tipo de pregação, foram criadas para moldarem as sociedades e, todavia, o resultado aí está... “franksteins sociais que podem ser tudo...menos obra de Deus”, esse Deus que é “algo” que não conhecemos – mas que devemos sentir – sentir, sim - já que no dia em que tomar conhecimento da forma como “esses cocos de mosca”, que habitam esse outro “cocô de mosca” que é a terra”, exploram seu status...sabe-se lá como irá reagir.
Espero nesse dia estar lá, num outro mundo que, quem sabe exista para dar continuidade a essa experiência de seres superiores a nós – que nos fazem de cobaias - esses sim, também quem sabe, em permanente contacto direto com o criador – para poder me defender e dizer: Senhor... “Eu fora...Jamais disse que o senhor disse ou que o senhor queria assim ou assado e nunca ganhei dinheiro em seu nome, mesmo com a desculpa cínica e hipócrita de que seria para destinar aqueles que o senhor criou e abandonou com fome e na pobreza.”
Acho que, então, sim, será essa a singular salvação, salvação que tantos vendem em nome de Deus, já que ele, por aqui, não anda muito interessado em saber como se comportam os experimentos dos experimentos dos experimentos do que quem sabe ele tenha criado.
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O Apresentador
Paulo Martins é jornalista, nascido na cidade de Rio Grande - Rio Grande do Sul. Naquele Estado trabalhou em vários órgãos de comunicação, destacando-se a Radio Farroupilha de Porto Alegre...
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