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Ponto de Vista

 

Colunas
24/05/2010

A justiça do direito

Nenhum burro, por ser burro, tem capacidade para avaliar o trabalho de um intelectual. Por isso desmerece e até se julga capacitado a disparar críticas em casos específicos. Estimulo-me a fazer esse registro ao ler nas páginas manifestação do Presidente do STF Cezar Peluso que de público defende férias de sessenta dias para os juízes brasileiros. Pois bem...é pouco. Não “estou na área do direito”, mas não é necessário estar ali para se saber que se trata de área de alta exigência intelectual, de estudo, de raciocínio, de dedicação às leis e suas convenientes aplicações, de zelo à hermenêutica, de equilíbrio, enfim, de necessidade de isolamento total em certas horas da vida para integrar-se exclusivamente à justiça para que possa fazer justiça. O trabalho intelectual, afirmam os especialistas, é muito mais desgastante, muito mais cansativo, muito mais rigoroso do que o braçal. O Presidente do Supremo, em sua posição, fala até em morte prematura. É uma verdade. Na área jornalística isso também ocorre – cientificamente comprovado – imagine-se em clima de sentenças e de justiça. Assim, período de descanso para aqueles que fazem justiça nada mais é do que justiça para com a própria justiça e principalmente para a sociedade que precisa de boa justiça. Um juiz não pode e não deve ter problemas financeiros, não deve e nem pode trabalhar sob esgotamento, um juiz necessita de paz de espírito em todos os sentidos para que suas sentenças sejam serenas, sejam justas. Duas ou mais férias por ano aos magistrados é o mínimo que se poderia estabelecer no sentido de se começar a construir o elementar em uma sociedade, ou seja, uma boa justiça. Trago essa idéia à apreciação do leitor hoje, mas não a defendo “de hoje”, mas sim, de tempos, tanto que invoco o testemunho do ex-prefeito Fidelcino Tolentino que, quando no cargo, me deu o prazer de ouvir minha indicação de construir-se em Cascavel um núcleo residencial para juízes e promotores e, eu lhe dizia: Se os tratarmos bem, teremos uma boa justiça que estará sempre querendo aqui morar, aqui ficar e assim sempre teremos uma boa justiça. À época Tolentino se propôs a doar a área. Depois, o assunto não mais prosperou. Hoje aí está a idéia de Peluso. É boa e volto a afirmar...ainda é tímida. Deveria ser ampliada...para o bem de todos e felicidade geral da própria sociedade.

O Apresentador
Paulo Martins é jornalista, nascido na cidade de Rio Grande - Rio Grande do Sul. Naquele Estado trabalhou em vários órgãos de comunicação, destacando-se a Radio Farroupilha de Porto Alegre...
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