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Colunas
13/12/2010 A rota do sangueEstamos pagando para morrer na BR-277 e só resta saber se os cenários das mortes ocorridas apontam os culpados como dolosos ou culposos. A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, do alto de sua arrogância, vem a público para dizer: “Não dá para negociar com uma espada sobre a cabeça.” Ora...ora...então uma frase de efeito de um processo de exploração brutal - haja vista que não explora somente a economia mas, e principalmente, a vida das pessoas - basta para justificar continuarem levando para o cemitério nossos entes queridos? Mas, na verdade, o que vem a ser intrigante é a legislação ter sido agredida e, mesmo assim, os agressores manterem-se como beneficiários unilateralmente, sim, porque, o governo do Paraná, ao abrir mão da duplicação da rodovia quebrou uma cláusula contratual e, a Concessionária ao aceitar a redução do pedágio em troca da não duplicação TAMBÉM QUEBROU O CONTRATO, beneficiando-se do que se chama de vantagem indevida. Não há o que discutir, o contrato foi quebrado por ambas as partes em prejuízo de terceiros, que somos nós. Que tipo de defesa tem sido feita – que não essa – que não tem conseguido elementar sentença? O Governador Beto Richa, que assume em janeiro, revela de forma lastimável que também já se “entregou” aos exploradores, pois entende que o modelo a ser adotado é o do diálogo com as concessionárias. Como a maioria dos contratos só acaba em 2021 e qualquer diálogo com esse tipo de gente não irá surtir os efeitos desejados, e como é imperativa a duplicação da BR-277 – de Medianeira à Curitiba – é preciso então tomar-se a alternativa única, lógica, consciente e racional: O poder público constrói a duplicação e, o usuário paga a concessionária apenas o pedágio de um sentido. O outro fica com a estrada nova, construída pelo poder público. O modelo exemplar está lá, no Rio Grande do Sul, na estrada Pelotas-Rio Grande. O governo federal exigiu a duplicação, os expertos da concessionária brandiram o contrato nas fuças do governo, o governo então ameaçou com essa solução. Os espertalhões fizeram as contas e concluíram que sairiam prejudicados. Pronto. Decidiram-se pela construção da segunda pista. Está quase pronta. É assim que se lida com espertalhões que sequer se abalam com as centenas de mortes ocorridas a cada ano. É assim que se lida. É preciso apenas ter boa vontade e liderança para conquistar essas soluções e “parar de vez de oferecer as ancas para essa gente colocar nelas o que bem entender.” E que a segunda pista comece a ser construídas em trechos junto às praças de pedágio existentes para o quanto antes imprimir-se o castigo merecido aos espertalhões.
Ao vento:
- Os espermatozóides que não fertilizam são “abortos da natureza”?
- Deveriam chamar o Exército para administrar o País, não para policiar morro.
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O Apresentador
Paulo Martins é jornalista, nascido na cidade de Rio Grande - Rio Grande do Sul. Naquele Estado trabalhou em vários órgãos de comunicação, destacando-se a Radio Farroupilha de Porto Alegre...
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