03/03/2010
O espectro da infecção adenoviral no olho varia de leve e quase imperceptível a grave com morbidade significante. É um risco ocupacional para os oftalmologistas. A transmissão desse vírus altamente contagioso se dá via secreções respiratórias ou oculares e a disseminação através de toalhas contaminadas ou equipamentos como a cabeça do tonômetro. O período de incubação é de 4 a 10 dias. Depois do início da conjuntivite o vírus é liberado por cerca de12 dias. Devem-se tomar precauções para evitar a transmissão após o exame de pacientes com suspeita de infecção por adenovírus. Lavar as mãos minuciosamente é o mais importante, mas também deve ser feita meticulosa desinfecção dos instrumentos oftálmicos. Além disso o pessoal de hospital infectado não deve entrar em contato com os pacientes se eles ainda estão infectantes. Clinicamente as duas síndromes oculares causadas por adenoviroses são: *Febre faringoconjuntival (FFC) que é causada pelos adenovírus dos tipos 3 e 7. Tipicamente afeta crianças e causa uma infecção de trato respiratório superior. A
ceratite se desenvolve em cerca de 30 % dos casos, mas raramente é severa.
*Ceratoconjuntivite epidêmica (CCE) que é mais freqüentemente causada por
adenovírus dos tipos 8 e 19 e geralmente não está associada a sintomas sistêrnicos,
A ceratte ocorre em cerca de 80% dos casos e pode ser severa.
CONJUNTIVITE
Início agudo de lacrimejamento, olho vermelho, desconforto e fotofobia. Ambos os olhos são afetados em cerca de 60% dos casos.
Sinais:
(a) As pálpebras estão edemaciadas.
(b) A secreção é aquosa.
(c) A conjuntiva mostra quernose leve a moderada e folículos. Casos severos podem também mostrar hemorragias subconjuntivais focais ou difusas e pseudornernbranas.
Conjuntivites Bacterianas
Conjuntivite Bacteriana Simples
Conjuntivite bacteriana simples é uma condição comum e, geralmente, autolimitada. Os organismos causadores mais comuns são Staphylococcus epídermídís e Staphylococcus
aureus, mas outros cocos grarn-positivos, incluindo Streptococcus pneumoniae, são também patógenos freqüentes, bem como os gram-negativos como o Haemophílus ínfluenzae e a Moraxella lacunata.
MANIFESTAÇÕES CLíNICAS
1. A apresentação se dá com o surgimento agudo de olho vermelho, ardência, queimação e secreção. Ao acordar, geralmente as pálpebras estão aderi das e há dificulda- de em abri-Ias, devido ao acúmulo de exsudato durante a noite. Ambos os olhos estão geralmente envolvidos, embora um possa ser afetado antes do outro por um dia ou menos.
2. Sinais:
(a) As pálpebras estão com crostas e podem estar levemente edemaciadas.
(b) A secreção nos estágios iniciais pode ser aquosa e mimetizar uma conjuntivite viral. Dentro de um a dois dias ela torna-se mucopurulenta.
(c) A conjuntiva mostra uma aparência aveludada, em vermelho vivo, que é máxima nos fórnices e mínima no limbo. Em casos severos membranas inflamatórias podem estar presentes.
(d) Envolvimento da córnea é incomum embora alguns
casos mostrem epiteliopatia punctata superficial e
infiltrados corneanos periféricos.
TRATAMENTO
Mesmo sem tratamento, a conjuntivite simples geralmente cura-se dentro de 10 a 14 dias, e testes laboratoriais não são rotineiramente realizados. Antes de iniciar o tratamento é importante remover toda a secreção. O tratamento inicial é colírio antibiótico de amplo espectro durante o dia e poma- da à noite até que cesse a secreção.
1. Colírios antibióticos:
(a) Ácido fusídico (Fucithalmic) é uma suspensão viscosa que é útil para infecções por Staphylococcus, mas não pela maioria das bactérias gram-negativas. A posologia inicial é de quatro vezes ao dia por 48 horas e a seguir duas vezes ao dia por mais alguns dias:
(b) Cloranfenicol tem um amplo espectro de atividade. É inicialmente administrado a cada 1-2 horas.
(c) Outros antibióticos em gotas atualmente disponíveis incluem: ciprofloxacina, ofloxacina, gentamicina, neomicina, framicetina, tobramicina, neosporina (polimixina B + neomicina + gramicidina) e polytrim (poli-
mixina + trimetoprim). Pomadas antibióticas mantêm uma concentração maior de antibiótico por períodos mais longos que os colírios, mas o uso delas durante o dia é limitado porque elas causam uma visão borrada após instilação. Entretanto a pomada pode ser usada à noite para garantir uma boa concentração do antibiótico durante o sono. Antibióticos disponíveis em forma de pomada são: c1oranfenicol, gentamicina, tetraciclina, framicetina e Polifax (polimixicina B + bacitracina) e Polytrim.