16/04/2010
//“Imagens fortes. Não deveríamos ter colocado no ar.”\ Foram raros os telespectadores da Tarobá que se manifestaram dessa forma, após a reportagem exibida no Jornal Tarobá sobre assassinato no centro de Cascavel. Raros...mas “pintaram no pedaço”. Pois bem, me proponho a afirmar que aqueles pouquíssimos que reclamaram não procuraram antes avaliar – talvez por ignorarem - que o jornalismo jamais, para ser distinguido com o assentimento da opinião pública, jamais, repito, pode ou deve honrar a hipocrisia. Um corpo sem vida caído na calçada, tendo sido atingido por tiros e uma mãe em desespero diante da morte violenta que vitimou seu filho...é cruel, mas É A REALIDADE DA VIDA, SENHORES. Essa, portanto, é a nossa realidade e, o jornalismo que honra sua essência não está autorizado a usar de subterfúgios ou maquiagem para passar à opinião pública uma moldura invertida dessa massacrante violência que no Brasil cada vez é mais brutal, dolorosa, cada vez mais estúpida. Jornalismo não é o programa do falecido Chacrinha. Jornalismo é a janela do mundo e essa atividade não autoriza seus profissionais a manterem essa janela fechada ou abrirem apenas um de seus postigos. E aqueles que chegaram ao ponto de invocarem a religião, embora não credenciados a uma condenação, sugiro que busquem também, então, alterar o conteúdo da via sacra, eliminando das encenações anuais os açoites em Jesus, a fincada da coroa de espinhos, os pregos nas mãos e pés, a espetada fatal da lança, além de também suprimir os desesperos de Maria. Afinal, ali também há violência revoltante, mas ocorrida, revelando em que mundo estamos, mundo que, na verdade está longe de ser o Jardim do Éden que gostaríamos que fosse. Que a sociedade ofereça um florido jardim ao jornalismo para que possamos nos limitar a mostrar e a falar das flores.